Planejamento da Auditoria: Plano, estudo e avaliação dos controle
E aí, mestre(a) dos concursos! Se você chegou até aqui, já sabe o que é Auditoria, seus tipos e o objetivo do auditor (nosso post anterior). Agora, vamos entrar na primeira fase e, arrisco dizer, na mais importante: o Planejamento.
Muitos candidatos veem o planejamento como "burocracia" ou um "checklist". Erro fatal.
Para bancas de alto nível (FGV, CEBRASPE, VUNESP), o planejamento é o cérebro da auditoria. É aqui que o auditor define a estratégia, aloca recursos e, o mais crucial, decide onde e como vai procurar por distorções.
Sem um bom planejamento, a auditoria é um tiro no escuro. Vamos dissecar a NBC TA 300 (Planejamento) e a NBC TA 315 (Identificação de Riscos) de forma direta ao ponto.
🎯 1. O Que é o Planejamento da Auditoria? (NBC TA 300)
O planejamento não é um evento único; é um processo contínuo e iterativo que começa no início da auditoria e só termina com o relatório.
O objetivo principal do planejamento é permitir que o auditor conduza uma auditoria eficaz (que encontre o que precisa) e eficiente (sem desperdício de tempo e recursos).
Por que Planejar?
- Para dar a devida atenção às áreas de risco mais importantes.
- Para identificar e resolver problemas potenciais tempestivamente (a tempo).
- Para organizar e gerenciar a equipe de auditoria.
- Para definir a abordagem do trabalho (quanto confiar nos controles? quanto testar diretamente?).
🚨 Dica de Prova (Pegadinha Clássica):
A banca vai afirmar que o planejamento é estático, rígido ou que termina antes da execução. ERRADO. A NBC TA 300 é clara: o planejamento é dinâmico. Se o auditor descobre um novo risco no meio da execução, ele deve voltar e revisar o planejamento.
🗺️ 2. Estratégia Global vs. Plano de Auditoria (A Diferença que Despenca)
Este é o coração da NBC TA 300. O planejamento se divide em DOIS documentos (conceituais, não necessariamente físicos separados): a Estratégia Global e o Plano de Auditoria.A. Estratégia Global de Auditoria
Pense na Estratégia como o "O QUÊ?" e o "POR QUÊ?". É a visão macro, a direção geral.- Escopo: O que será auditado? (Quais filiais, quais contas).
- Cronograma: Qual o timing? (Quando começar, quando entregar).
- Direção: Qual a abordagem? (Qual o nível de risco? Qual a materialidade?).
- Recursos: Quem vai fazer o quê? (Preciso de um especialista em TI? Um perito em avaliação de imóveis?).
B. Plano de Auditoria
Pense no Plano como o "COMO?". Ele é o detalhamento da Estratégia. É o "mapa" que a equipe de auditoria usará no dia a dia.
🚨 Dica de Prova (A Relação):
A Estratégia Global vem primeiro e guia a elaboração do Plano de Auditoria. O Plano é o desdobramento tático da Estratégia. A banca (especialmente a FGV) vai tentar inverter essa lógica. Não caia nessa.
🔍 3. O Ponto de Partida: Entendendo a Entidade e seus Riscos (NBC TA 315)
Você não pode planejar uma auditoria em uma empresa de petróleo do mesmo jeito que planeja em um banco digital.
Por que o Auditor se Importa com os Controles do Cliente?
Aqui está a sacada de mestre que muitos concurseiros erram:O auditor independente (externo) NÃO avalia os controles internos para "ajudar a empresa a melhorar" (esse é o papel do auditor interno).
O auditor independente avalia os controles internos do cliente por um único motivo: para definir o tamanho do SEU PRÓPRIO trabalho.
- Cenário A: A empresa tem controles internos fortes, confiáveis e que funcionam.
- Cenário B: A empresa tem controles internos fracos, falhos ou inexistentes.
🔬 4. O Processo: Estudo e Avaliação dos Controles Internos
O auditor não confia nos controles "de graça". Ele precisa testá-los. Esse processo tem etapas lógicas:Etapa 1: Entendimento do Controle
O auditor primeiro entende quais controles existem.- Exemplo: Ele pergunta ao gerente de compras: "Como vocês garantem que só compram de fornecedores aprovados e pelo preço certo?".
- O gerente responde: "Temos um sistema que bloqueia qualquer pedido de compra acima de R$ 10.000 sem a aprovação digital de um diretor".
Etapa 2: Avaliação Preliminar (Desenho)
O auditor avalia se esse controle, em tese (no papel), é capaz de prevenir ou detectar um erro.- Exemplo: "Ok, esse controle parece bem desenhado para evitar compras superdimensionadas".
- Abordagem 1 (Confiança nos Controles): "Vou testar esse controle para ver se ele funciona. Se funcionar, vou diminuir meus testes substantivos (testes de saldo) lá na frente."
- Abordagem 2 (Sem Confiança): "Esse controle nem existe" ou "Esse controle é péssimo, não confio". O auditor pula a Etapa 3 e vai direto para testes substantivos pesados.
Etapa 3: Testes de Controle (Eficácia Operacional)
Se o auditor escolheu a Abordagem 1, ele agora precisa provar que o controle funciona na prática.- O que é o Teste de Controle? É um procedimento para verificar se o controle está operando eficazmente ao longo do período.
- Exemplo (voltando ao anterior): O auditor vai ao sistema e tenta processar uma compra de R$ 11.000 sem a senha do diretor. Ele também seleciona 30 compras feitas no ano e verifica se todas as que estavam acima de R$ 10.000 tiveram a devida aprovação.
⚖️ 5. O Resultado do Planejamento: A Relação Risco x Esforço
O planejamento se resume a isso. A avaliação dos controles internos define a Abordagem da Auditoria, que é a combinação de dois tipos de testes:- Objetivo: Verificar se os controles internos funcionam.
- Foco: No processo, na regra.
- Testes Substantivos:
- Objetivo: Verificar se os saldos e transações nas demonstrações contábeis estão corretos (buscar distorções relevantes).
- Foco: No valor, no dinheiro. (Ex: Circularização de clientes, contagem de estoque).
A Balança da Auditoria (A Relação Inversa)
Esta é a regra de ouro do planejamento:Controles Fortes (Risco de Controle Baixo): O auditor confia nos controles (após testá-los).👇
- Menos Testes Substantivos (pois o risco de o controle não pegar um erro é baixo).
- Mais Testes Substantivos (pois o auditor precisa "compensar" a fraqueza do controle com mais testes diretos nos saldos).
🚨 Dica de Prova (Nível Alto):
O auditor nunca pode eliminar 100% dos testes substantivos, não importa o quão bons sejam os controles. Sempre existe o risco de a administração burlar o controle (conluio, fraude da gestão). Portanto, para todas as contas relevantes, algum teste substantivo sempre será necessário.
🚀 Revisão Expressa: O Que Levar para a Prova
- NBC TA 300: O planejamento é a fase inicial, mas é dinâmico e iterativo, não estático.
- Estratégia Global: O "quê?", "por quê?", "quando?". Define escopo, cronograma e direção.
- Plano de Auditoria: O "como?". Detalha a NET (Natureza, Época, Extensão) dos procedimentos, baseado na Estratégia.
- NBC TA 315: Para planejar, é preciso entender a entidade e seus Controles Internos.
- Por que avaliar Controles? Para definir a abordagem e a extensão dos testes substantivos.
- Relação Inversa: Quanto melhor o controle (e menor o Risco de Controle), menor a necessidade de Testes Substantivos (e vice-versa).
- Testes: Teste de Controle (vê se o processo funciona) vs. Teste Substantivo (vê se o saldo está certo).
Nota-se o quão indispensável são os testes de conhecimento, após uma abordagem global sobre um tema. Relevante realçar que estou satisfeita com o mesmo, e saio com uma visão muito mais ampla sobre auditoria.
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