Revisão sobre a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício

Está é uma Aula de Revisão sobre a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), estruturada para concursos de alto nível (Auditor Fiscal, Contador, Perito), integrando as normas da NBC TG 26 (R5) e da Lei 6.404/76.

Uma boa forma de compreender a DRE é criando "gavetas" mentais de classificação estrutural. O examinador sabe que o básico de um candidato é conhecer estrutura, portanto para separar os melhores dos melhores ele precisa ser criativo na classificação: ele vai te dar um "frete" e você terá que decidir se é CMV ou Despesa de Venda; ele vai te dar um "desconto" e você terá que decidir se é Incondicional (Dedução) ou Financeiro (Despesa).

​Vamos aprofundar exatamente nesses pontos de confusão, utilizando inicialmente uma estrutura simples, refinada com as normas contábeis (NBC TG 26) e a Lei 6.404.

​1. Estrutura Básica da DRE para prova

Vamos tratar essa DRE como se fosse para uma empresa comercial, porque é mais prático para memorizar, porém independente da atividade, seja serviço, indústria, agropecuária o conceito é o mesmo, depois que memoriza (compreende) essa estrutura você consegue adaptar a qualquer outra. Vamos a estrutura que você precisa levar para a prova:
  1. (=) Receita Bruta
  2.  (-) DDATA
  3. (=) Receita Líquida
  4.  (-) CMV
  5. (=) Lucro Operacional Bruto
  6.  (-) VAF
  7. (=) LAIR
  8.  (-) IR
  9. (=) Lucro Liquido

2. O Topo da DRE: Receita Bruta e o filtro "DDATA"

​A primeira batalha é limpar a Receita Bruta. Tudo aqui reduz o valor da venda "cheia" para chegar à Receita Líquida. ​Memorize o Mnemônico: (-) DDATA.

  • Devoluções (e Vendas Canceladas): ​O que é: O cliente devolveu a mercadoria ou a venda foi anulada.
    • Ponto de atenção: Anula totalmente o efeito da venda (estorna receita e estorna o custo/CMV).
  • Descontos Incondicionais (Comerciais): O Conceito: É o desconto dado no momento da nota fiscal (no ato da venda). Não depende de evento futuro. Ex: "Promoção de Black Friday", "Desconto por quantidade".
    • A Pegadinha Clássica: Não confunda com Desconto Condicional (Financeiro). Se a questão disser "desconto por pagamento antecipado" ou "para pagamento pontual", isso NÃO entra aqui. Isso é Despesa Financeira (lá embaixo na DRE).
  • Abatimentos: Diferente do desconto (dado na hora), o abatimento é dado após a venda, geralmente por um defeito na mercadoria ou atraso na entrega, para evitar que o cliente devolva o produto. É um "prêmio de consolação" para o cliente ficar com o item.
  • Tributos sobre Vendas: ​Entram aqui: ICMS, ISS, PIS e COFINS (regime cumulativo ou não cumulativo sobre faturamento).
    • Não entra: IPI (O IPI é imposto "por fora", ele não compõe a Receita Bruta contabilmente, embora apareça na Nota Fiscal total).
  • Ajustes a Valor Presente (AVP): Conceito: Se você vendeu a prazo com juros embutidos, você deve trazer o valor a valor presente. A "gordura" (os juros embutidos) é retirada da Receita Bruta aqui.
    • Destino: Essa "gordura" retirada vai sendo reconhecida como Receita Financeira conforme o tempo passa (regime de competência).

​3. O Coração da Operação: CMV vs. Despesas (VAF)

​Chegamos à Receita Líquida. Agora subtraímos o CMV para achar o Lucro Bruto. Depois, tiramos as Despesas Operacionais (VAF) para achar o Lucro Operacional.

​A Confusão: CMV ou Despesa com Vendas?

Para saber se um gasto é custo (CMV) ou despesa com venda, a regra é verificar o momento da operação.

CMV (Custo da Mercadoria Vendida): ​Fórmula correta: CMV = Estoque Inicial + Compras Líquidas - Estoque Final.

  • Atenção: Fretes sobre COMPRA e Seguros sobre COMPRA aumentam o custo do estoque. Logo, quando você vende, eles viram CMV. Eles não são despesas operacionais diretas, eles transitam pelo estoque.
Despesas com Vendas (o "V" do VAF): ​São gastos para esforço de venda ou entrega. ​Lista de Ouro:
  • Fretes sobre VENDA: Se a empresa paga o frete para entregar ao cliente, é despesa com venda (não é CMV!).
  • Comissões de vendedores.
  • PECLD (Perdas Estimadas com Créditos de Liquidação Duvidosa): A antiga "provisão para devedores duvidosos". É despesa com venda.
  • Marketing/Publicidade.

​Despesas Administrativas (o "A" do VAF)

  • ​Salários do pessoal do escritório, aluguel da sede, depreciação de móveis do escritório.
  • Impairment (Perda por não recuperabilidade): Geralmente classificada aqui ou em "Outras despesas operacionais".

​Resultado Financeiro (o "F" do VAF)

​Aqui o examinador tenta misturar o operacional com o financeiro.

  • Receitas Financeiras: Juros recebidos, Rendimentos de aplicações, Descontos obtidos (condicionais).
  • Despesas Financeiras: Juros pagos, Descontos concedidos (condicionais), Variação cambial passiva.

​4. A Lista de Confusões: Entra ou Não Entra? Onde Entra?

​Para provas de alto nível, decore esta lista de distinções.

  • Frete na Compra vs. Frete na Venda
    • ​Frete na Compra: Vai para o Ativo (Estoque) -> Vira CMV na baixa.
    • ​Frete na Venda: Vai direto para DRE (Despesa com Vendas).
  • Desconto Comercial vs. Desconto Financeiro
    • ​Comercial (Incondicional): Reduz a Receita Bruta (lá no DDATA).
    • ​Financeiro (Condicional): É Despesa Financeira (lá embaixo no VAF).
  • IPI na Venda vs. ICMS na Venda
    • ​ICMS: Está "dentro" do preço. É dedução da Receita Bruta (Tributos).
    • ​IPI: É imposto "por fora". Não transita pela Receita Bruta Contábil (apenas pelo faturamento fiscal).
  • Venda de Ativo Imobilizado (Ganho/Perda de Capital)
    • ​Não entra na Receita Bruta de Vendas.
    • ​Entra em "Outras Receitas/Despesas Operacionais". O valor que entra é apenas o lucro ou prejuízo da operação (Valor da Venda - Valor Contábil), não o valor total da venda.
  • Insubsistência Ativa vs. Passiva
    • ​Ativa (Ativo deixou de existir/morreu): Despesa Operacional.
    • ​Passiva (Dívida deixou de existir/perdão): Outras Receitas Operacionais.
  • Dividendos
    • ​Recebidos (de investimento avaliado por Custo/Valor Justo): Receita (Financeira ou Outra Operacional, depende da banca).
    • ​Recebidos (de investimento avaliado por MEP): Não entra na DRE (reduz o saldo do investimento no Ativo).
    • ​Pagos/Propostos: Nunca é despesa. É redução do PL (Lucros Acumulados).

​4. A Estrutura Final para Gabaritar (O Checklist)

​Use esta ordem mental na hora da prova para organizar os dados do enunciado:

  1. Pegue a Receita Bruta
  2. Aplique o DDATA (Tire devoluções, descontos incondicionais, abatimentos, impostos, ajuste VP).
  3. Chegou na Receita Líquida?
  4. Tire o CMV (Cuidado com o cálculo: EI + Compras + FreteCompra - DevoluçãoCompra - EF).
  5. Chegou no Lucro Bruto?
  6. Aplique o VAF (Tire despesas de vendas, administrativas, tire/some resultado financeiro, outras despesas/receitas).
  7. Chegou no LAIR (Lucro Antes do IR)?
  8. Tire a Provisão de IR/CSLL.
  9. Chegou no LAP (Lucro Antes das Participações)?
    • Dica: Se o LAP for prejuízo, pare aqui. Não há participações.
  10. Tire as Participações (Debêntures, Empregados, Administradores, Partes Beneficiárias - macete "D.E.A.P").
  11. = LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO.

Dica Final de Ouro: Muitas questões pedem o "Resultado Operacional". Pela Lei 6.404 antiga, isso era antes do financeiro. Pelas normas atuais (NBC TG 26), o resultado financeiro compõe o operacional. 

Na dúvida em concurso: Se a banca pedir "Lucro Operacional", calcule geralmente até depois das despesas administrativas e de vendas, mas fique atento se as opções de resposta sugerem a inclusão ou não do financeiro. A maioria das bancas atuais (FGV, Cebraspe) considera Operacional = Receita Líquida - CMV - Despesas (Vendas/Adm) +/- Outras Receitas/Desp.

Exercícios de Fixação

Questão 1 de 20

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