NBC TSP 07 – ativo imobilizado
A NBC TSP 07 estabelece o tratamento contábil para o Ativo Imobilizado no setor público, permitindo que os usuários das demonstrações compreendam o investimento da entidade em seus ativos e suas variações.
1. Contexto e Definições Essenciais
O Ativo Imobilizado é composto por itens tangíveis mantidos para uso na produção ou fornecimento de bens e serviços, para aluguel a terceiros ou para fins administrativos, com expectativa de utilização por mais de um período contábil.
- Valor Contábil: montante pelo qual um ativo é reconhecido após deduzir a depreciação e perdas acumuladas por redução ao valor recuperável.
- Valor Depreciável: custo do ativo (ou valor substituto) menos o seu valor residual.
- Vida Útil: período em que se espera que o ativo esteja disponível para uso ou o volume de produção/unidades que se espera obter dele.
- Valor Residual: montante estimado que a entidade obteria com a alienação do ativo ao fim de sua vida útil, após deduzir despesas de venda.
- Potencial de Serviços: capacidade de um ativo prestar serviços em conformidade com os objetivos da entidade, sem necessariamente gerar fluxos de caixa.
2. Reconhecimento e Mensuração Inicial
Um item do imobilizado só deve ser reconhecido se for provável que benefícios econômicos futuros ou potencial de serviços fluirão para a entidade e se o seu custo (ou valor justo) puder ser mensurado confiavelmente.
Mensuração no Reconhecimento:
- Regra Geral: O ativo deve ser mensurado pelo seu custo.
- Transações Sem Contraprestação (Doações/Confiscos): O custo deve ser o seu valor justo na data da aquisição.
- Ativos Construídos pela Própria Entidade: Seguem os mesmos critérios de ativos adquiridos; no entanto, perdas anormais de materiais ou mão de obra não devem ser incluídas no custo.
Elementos que Compõem o Custo
Preço de compra, incluindo impostos de importação e tributos não recuperáveis, após deduzir descontos comerciais.
Custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condições de funcionamento (frete, manuseio, instalação, montagem, testes e honorários profissionais).
Estimativa inicial dos custos de desmontagem, remoção e restauração do local.
3. Mensuração após o Reconhecimento
A entidade deve escolher um dos dois modelos abaixo para cada classe de ativos:
Modelo do Custo: custo menos depreciação acumulada e perdas por redução ao valor recuperável acumuladas.
Modelo da Reavaliação: valor justo na data da reavaliação menos depreciação e perdas subsequentes. As reavaliações devem ter regularidade suficiente para que o valor contábil não difira materialmente do valor justo.
Atenção (Reserva de Reavaliação): Aumentos por reavaliação são creditados à Reserva de Reavaliação no patrimônio líquido, exceto se reverterem decréscimo anterior registrado no resultado. Diminuições são registradas no resultado, exceto se houver saldo prévio na reserva para aquela classe de ativos.
4. Depreciação e Desreconhecimento
A depreciação é a alocação sistemática do valor de um ativo ao longo de sua vida útil e inicia-se quando o ativo está disponível para uso.
- Revisão Periódica: O valor residual e a vida útil devem ser revisados pelo menos ao final de cada exercício; mudanças são tratadas como mudança de estimativa contábil.
- Componentização: Cada componente de um item com custo significativo em relação ao custo total deve ser depreciado separadamente (ex: motores de uma aeronave).
- Terrenos e Edificações: São ativos separáveis; terrenos geralmente têm vida útil ilimitada e não são depreciados, enquanto edificações têm vida útil limitada e são depreciáveis.
- Desreconhecimento: Ocorre na alienação ou quando não se espera mais benefícios ou potencial de serviços do ativo.
5. Pontos de Atenção e Exceções (Foco em Provas)
Patrimônio Cultural: A norma não exige o reconhecimento desses ativos (monumentos, obras de arte). Se a entidade optar por reconhecê-los, deve seguir as regras de divulgação e pode aplicar as de mensuração.
Gastos de Manutenção: Manutenção usual (reparos e conservação) é reconhecida como despesa no resultado.
Substituições e Inspeções: Custos de substituição de partes ou grandes inspeções periódicas podem ser capitalizados no valor contábil se atenderem aos critérios de reconhecimento.
Itens Não Incluídos no Custo: Gastos de abertura de nova instalação, propaganda, custos de treinamento e despesas administrativas gerais.
Paralisação: A depreciação não cessa quando o ativo se torna ocioso ou é retirado de uso, a menos que esteja totalmente depreciado.
6. Elementos de Prova (Classificações e Hierarquias)
Abrangência: Inclui equipamento militar especializado, ativos de infraestrutura (redes de esgoto, estradas) e ativos de contratos de concessão.
Exclusões: Não se aplica a ativos biológicos agrícolas ou direitos/reservas minerais (petróleo, gás).
Métodos de Depreciação Permitidos: Linear, saldos decrescentes e unidades produzidas.
Método Proibido: Depreciação baseada na receita gerada pela atividade.
7. Contexto para Discursivas (Princípios e Justificativas)
Em questões abertas, foque na justificativa de que o imobilizado no setor público muitas vezes não foca na geração de lucro, mas na manutenção do potencial de serviços para a sociedade. A adoção de modelos de mensuração e depreciação técnica garante a fidedignidade do patrimônio e permite o planejamento adequado da reposição de ativos estratégicos, como infraestrutura e hospitais.
Resumo do Resumo (Pré-Prova)
- Imobilizado: Tangível, uso > 1 período, potencial de serviços.
- Mensuração Inicial: Custo (compra) ou Valor Justo (doação).
- Revalorização: Crédito na Reserva de Reavaliação (PL); Débito no Resultado (VPD).
- Depreciação: Inicia quando disponível; não para se ficar ocioso; proibida baseada em receita.
- Terrenos: Vida ilimitada (não deprecia).
- Revisão: Residual e Vida Útil revisados pelo menos anualmente.
- Patrimônio Cultural: Reconhecimento facultativo.
- Manutenção: Despesa do período.
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