Recursos verbais, não verbais, multissemióticos e as Funções da linguagem.
Compreender os Recursos Verbais, Não Verbais e as Funções da Linguagem é o que separa o candidato que apenas lê do candidato que decodifica a intenção da banca. Em provas de alto nível, não se pergunta apenas "o que o texto diz", mas "como e para que ele diz". Espere uma aplicação prática voltada para a análise de campanhas publicitárias, cartuns e textos jornalísticos, onde a identificação do foco da comunicação (emissor, receptor, código, etc.) é a chave para eliminar distratores que parecem corretos, mas ignoram a finalidade do autor.
📚 Recursos Verbais, Não Verbais e Multissemióticos
A comunicação moderna é multimodal. O recurso verbal utiliza a palavra escrita ou falada (o código linguístico). O não verbal utiliza imagens, cores, sons e gestos. O multissemiótico (ou híbrido) é a integração de ambos para criar um sentido único, comum em charges, infográficos e anúncios.
💡 Dica de Provas: Em textos híbridos (como charges), a resposta quase nunca está apenas no texto escrito. A "sacada" ou a crítica geralmente reside no recurso não verbal (expressão facial, cenário). Se a alternativa ignorar a imagem, desconfie.
✍️ Aplicação Prática: Em uma questão do Cebraspe, se aparecer uma charge de um homem falando ao celular enquanto ignora uma placa de "proibido", a banca pode afirmar que o "texto verbal é suficiente para a compreensão da crítica". Falso. A crítica nasce do contraste entre a proibição (não verbal/verbal na placa) e a ação do personagem (não verbal).
📝 Citação Doutrinária: Conforme as discussões sobre multiletramentos (Rojo, 2012) e as premissas de Bechara, a linguagem é um sistema de sinais. A gramática normativa cuida do verbal, mas a interpretação de concursos exige o domínio da semiótica — a relação entre o signo (imagem) e o significado.
📢 Funções da Linguagem: O Modelo de Jakobson na Prática
As funções da linguagem definem a intenção predominante do texto. Roman Jakobson mapeou seis funções, cada uma centrada em um elemento da comunicação. Para o concurso, foque nos "gatilhos":
- Referential (ou Denotativa): Foco no Contexto/Assunto. Objetiva, direta, comum em notícias e textos científicos (frequente na FCC).
- Emotiva (ou Expressiva): Foco no Emissor. Uso de 1ª pessoa, interjeições e subjetividade (comum em diários e crônicas).
- Conativa (ou Apelativa): Foco no Receptor. Verbos no imperativo, vocativos, intuito de convencer (marca registrada da FGV em anúncios).
- Fática: Foco no Canal. Testar o contato ("Alô?", "Entendeu?", "Veja bem...").
- Metalinguística: Foco no Código. A linguagem explicando a própria linguagem (poema sobre fazer poesia, dicionário, filme sobre cinema).
- Poética: Foco na Mensagem. Preocupação com a estética, ritmo, rimas e metáforas.
💡 Dica de Prova (Estratégia de Eliminação): As funções nunca são puras. Um poema (poética) pode ter traços emotivos. A questão sempre pedirá a função predominante. Se o texto quer te vender algo, marque Conativa, mesmo que ele use rimas (poética).
⚠️ Ponto de Atenção: Não confunda Função Poética com Função Emotiva. A Poética foca no arranjo das palavras; a Emotiva foca nos sentimentos de quem fala.
🎯 Estratégias de Análise e Pegadinhas das Bancas
As bancas de elite adoram trocar os polos da comunicação para confundir o candidato.
- Análise de Enunciados: Quando a banca diz "O texto centra-se no processo de elaboração da própria mensagem", ela está definindo a Metalinguagem. Se diz "O foco reside na persuasão do interlocutor", refere-se à função Conativa.
- A Pegadinha da Metalinguagem: O Cebraspe costuma colocar um texto de um gramático falando sobre uma regra e perguntar se a função é Referencial. Se o foco for a regra como informação, é Referencial; se for o uso da língua para explicar a língua, é Metalinguística. O contexto manda.
- Atualizações e Reforma: Embora a reforma ortográfica não altere as funções da linguagem, o uso de "você" (pronome de tratamento com valor de 2ª pessoa) é o principal gatilho para a função Conativa em campanhas do governo.
🚨 Pontos de Atenção: Erros Comuns e Controversas
Subjetividade vs. Objetividade: Muitos candidatos marcam "Função Emotiva" em qualquer texto que use adjetivos. Erro. Adjetivos podem ser apenas descritivos (Referencial). A Emotiva exige a marca do "Eu" (opinião, sentimento, interjeição).
Intertextualidade: Muitas vezes confundida com Metalinguagem. Se um texto cita outro, é intertextualidade. Se um texto explica sua própria estrutura ou o código usado, é Metalinguagem.
Normas ABNT: Em redações técnicas e correspondências oficiais (foco em concursos de tribunais), a função que deve imperar é a Referencial (impessoalidade, clareza, objetividade).
💡 Tome Nota: Charge envolve uma Tema atual, Geralmente crítica social/política, tem contexto histórico e pode “envelhecer”. Cartum envolve tema mais universal, com humor atemporal e Crítica mais ampla
👉 Resumo Final para Revisão Pré-Prova
- Verbal: Palavra (Escrita/Fala).
- Não Verbal: Imagem, gesto, cor, silêncio.
- Multissemiótico: Verbal + Não Verbal (Charge/Infográfico).
- Função Referencial: Foco na Informação (3ª pessoa, fatos).
- Função Emotiva: Foco no "EU" (Sentimentos, 1ª pessoa).
- Função Conativa: Foco no "TU" (Ordens, pedidos, propaganda).
- Função Metalinguística: Código explica Código (Dicionário/Gramática).
- Função Fática: Canal (Ruídos, testes de conexão, saudações).
- Função Poética: Forma da Mensagem (Estética, criatividade).
- Macete Supremo: Identifique o objetivo do autor. Convencer = Conativa; Informar = Referencial; Sentir = Emotiva; Criar = Poética; Explicar a língua = Metalinguística.
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